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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ravendark’s Mornachal Canticle - Entrevista






Ao passar dos anos, as marcas ficaram de angústias de um sonho que está sendo apagado. Memórias permanecem na cabeça, apenas o ódio e a arrogância fazem valer viver e resgatar aquilo que o tempo não traz mais de volta. Trago-lhe agora o caos sonoro: Ravendark’s Mornachal Canticle...

01 – Saudações, Caio! Para começarmos, comentem sobre suas obras bélicas ao longo dos anos e ressaltando a ideologia nelas contidas.

Caio Bildner (OIAC MCM/-32) – Saudações de guerra, grande amigo e aliado...
O R.M.C. surgiu em meados de 2004, do objetivo pessoal de criar algo livre de malditas regras e direcionamentos de terceiros... Compactuando com essa máxima, fecha o círculo Carlos Pimentel (SOLRAC MCM/-32) e os lançamentos passam a tomar forma:
1) Honra Sulamericana – Tape/Cd-r 2004
2) Terras Sul-americanas do Ódio – Tape 2005
3) Vivos – No Campo de Batalha – Tape 2006
4) Guerreiros das Trevas – Compilação Tape 2006
5) Total Holocaust Attack – Compilação cd-r 2006
6) Força Beligerante Brasileira – Culto a Guerra – Tape Compilação 2006
7) Ostentando o Estandarte da Soberana Deshumanização – Dvd 2006
8) Sadistic Hordes of Destruction – Split tape com: Cursed Christ / Daemon Est deus Inversus e Black Baptism – 2006
9) Sentinelas no Front – Tape 2007
10) Monarchal Pest – Split tape com o Vulvapest – 2007
11) A Ascensão da Arrogância Ódio e Intolerância – Debut tape – 2008
12) Anti-Humanismo Patrio – Cd-r Compilação - 2008
13) Bulgaryan – Southern Radikal Propaganda – Split cd / tape com: Sturm Kommand / 88 / Uriburu - 2008
14) Fantomania II – Split cd tribute ao Fantom, com: Dög / Drünken Bastards / Funebre e Sacrificial Dagger - 2009
15) Breath of a Deadly Silence – Split cd com o Misanthropic Triumph – 2009
16) Sob a Bandeira do Ódio e da Arrogância – Debut cd 2010
17) Der Angriff – Split cd-r com o Die Human Race - 2010
18) Bestial Supremacy – Split cd/tape com o Wargoatcult – 2010
19) The Goat Canticle – Split tape com o Morbid Goat Fornicator - 2011

02 – Vejo que exalta a guerra e o ódio contra toda a decadência humana e a acefalia Judaica cristã islâmica. Comente sobre sua busca histórica do passado de guerra paulistano e do fato de você não ser humanista e político, como seu próprio hino fala: Anti-humanismo Pátrio, do álbum “Sob a bandeira do ódio e da Arrogância”  

OIAC MCM/-32 – Em parte do ciclo de nossas vidas, somos doutrinados a seguir determinadas regras/dogmas, calcadas muitas vezes na maldita sociedade cristã. Sociedade esta repleta de seres idiotas / fracos e burros, os quais sequer sabem de sua história – Lê-se origem! Para que o meu filho não perdure nesta santa ignorância, busco estudar/transmitir a ele a história de meus antepassados e aprender com ela, revisitando – enaltecendo suas glórias e desprezando – aprendendo com suas derrotas...
Acredito que, além de canalizar o conhecimento na perpetuação das minhas raizes, disseminar aos paulistas e demais brasileiros um pouco dessa história cheia de triunfos via letras / hinos do R.M.C., eu consigo fazer com que a banda fuja da mesmice...
Não sou partidário de direita ou esquerda, enalteço apenas as Nossas Terras férteis e desprezo o maldito ser humano atual....Invencionices mil, sentimento escasso... 

03 - Nessa jornada caótica que caminhamos, desafios são constantes para fugirmos de uma realidade em que vivemos e odiamos. Qual é o seu sentimento com a realização de um trabalho finalizado? 

OIAC MCM/-32 – Eu sempre entro em um projeto para vencer, independente do esforço ou sacrifício a ser despendido... Portanto, todos os meus projetos tomam forma e registram algo, como método para satisfazer apenas o meu maldito umbigo e poder afirmar – Consegui! O apoio sempre inexistiu, e tudo o que criei o fiz para ter o prazer de ouvir os hinos, não obter qualquer retorno da massa...


04 – És um grande apoiador do Necrounderground esquecido, suas práticas são imensas em torno de várias hordas que contêm o apoio de sua arma de guerra.  Isso realmente é de grande ajuda para aqueles que vivem inteiramente todos os dias por esta causa. Conte-me do seu respeito e interesse por elas e como você se identifica com tantos estilos abordados das diferentes hordas.

OIAC MCM/-32 – Como eu disse acima... Poucos são aqueles os quais compactuo quanto a idéias e postura; Más estes são dignos de apoio dentro de minhas limitações enquanto maldito e fraco ser humano / músico... Quando possuo condições em apoiar projetos os quais acredito, simplesmente faço... A satisfação do material registrado não tem preço que pague....Haillz aos meus restritos aliados e aos projetos os quais faço parte!

05 – Faça considerações breves sobre esses temas:

Bomba Nuclear – Um novo começo
Sofrimento-evolução - Necessário
Escuridão eterna – O presente

06 – Não sei se você vai me compreender, mas hoje em dia eu odeio essa palavra “Metal”, na identificação da música pesada e sombria é clichê e me dá nojo, mas não dou a mínima e continuo para poder cuspir nessas novas bandas que só vêem a música e esquecem a parte ideológica que contém essa arte, trazendo a decadência nos dias de hoje...

OIAC MCM/-32 – Cara, eu já penso o contrário... Prefiro definir cada vez mais meus projetos dentro do termo Metal, para me distanciar da nova safra a qual criou um milhão de sub-estilos dentro do estilo!  Esse também foi o motivo pelo qual intitulo o RMC como War Metal...São poucos os quais conhecem a fundo a proposta e apóiam, sendo que a maioria acéfala nos associa com o NS (novos metaleiros – ahahahah!) e nos desprezam....
Continuem assim, seus bostas! 

07 – Acho que seu mais novo material que venho acompanhado é o split com Morbid goat fonicator. Diga-me como ficou esse resultado e se você já tem algo registrado para futuros lançamentos.

OIAC MCM/-32 – Esse material foi lançado recentemente pelo selo do meu aliado do Morbid Goat Fornicator – Tarroth. O selo é o Nuclear Atomic Desolation do Chile e foi lançado em formato tape... Este apresenta 3 hinos novos de cada banda.
Em um futuro próximo, registraremos o segundo álbum e hinos para um split... Só o tempo dirá se conseguiremos....O RMC prima pela espontaneidade, portanto, a qualquer momento apareceremos com material novo...

08 - Irei parar por aqui, aliado. Dedico esse espaço aos seus comentários finais. Vejo-lhe no último front, no abismo sombrio de Hades!

OIAC MCM/-32 – Agradeço o apoio irrestrito a minha banda, bem como o perfeito discernimento acerca de nossa ideologia e postura! São poucos os que fogem da acefalia atual e são dignos de nosso apoio!
Nós Somos os Lobos Sul-Americanos – Metal Brasileiro de Guerra!

Contato: caiobildner@gmail.com

Morcego

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mythological Cold Towers (Entrevista)



Na última edição da revista Versus (de Portugal e disponível online ou para download) saiu uma entrevista com a banda Mythological Cold Towers e tem como capa a banda Esoteric:


Ler: http://issuu.com/versusmagazine/docs/versus_17
Download: http://www.mediafire.com/?543kldd3qlp8gl5




sexta-feira, 3 de junho de 2011

Entrevista com o ABISMO by Penurium


No ha sido fácil conseguir esta entrevista, pues no debe perderse en un simple idioma, asi que me he tomado el tiempo para traducirla al Español e Inglés.
Para quienes desconocen la historia de Abismo, esta es un ejemplo de la nueva sangre latina que se levanta buscando una integración en el mundo, casos como este se han dado tanto en Chile, como Argentina, Perú, México y Brazil, pero siendo en nuestras tierras asi como en las brasileras donde el crecimiento y pasión por esta rama sonora se hace cada día más grande.
Partiremos con la entrevista en Español y luego en Portugues
*Cuentame, como es que nace en ti la idea de crear Abismo y cuando ocurrio?
Como un preso anhela su libertad, como una cuchilla afilada anhela dividir los espacios de un cuerpo, sea lo que sea, mi mente se llenó de todo lo que los presos todas las noches sin dormir.
Hasta que me encontré con un vientre perfecto para todos los los sentimientos que estaban en el proceso de entrega, este vientre es la dimensión de los sonidos. Estos son ciegas y sin dirección alimentados con cientos de páginas que había escrito en mi cautiverio dentro de las cavernas de mi mente. Emerge una quimera antes de la brecha, pero el vestido era muy diferente del abismo actual, esta condición previa de Abismo era cada vez más la migración a la baja, y algo así como un Funeral Doom, se convirtió en algo que ya no podía dejar de ser etiquetado como antes lo hubiera podido hacer, dar a luz en el Abismo, este agujero que fue poco a poco el drenaje de mis percepciones y me hace todos los días, hasta que perdí mi identidad en este camino… De esta manera, donde cada día era algo diferente al ayer y hoy, y al día siguiente Otra sería… Nunca lo mismo… Sin rostro, formas sin matices…
Luego, después de unos años, la primera página que terminé llamé Occasus El ENIMUS LUX Candelae… Esto no volvería a ver el mundo de los hombres, pero entonces algo pasó y que se ha propagado… Esta fue mi Puesta del sol gran primera…
*Cuales fueron tus influencias sonoras?
Puedo decir que casi todo lo que me llama al oído… Para mí el sonido es lo más perfecto jamás concebido, por enfermedad de la vida… El sonido de la mañana, cuando todo aparece. Sin embargo, las capas de sonido de las calles cuando los cuerpos caminar de un lado a otro, los ruidos, voces, sonidos oportunidad de ir y venir por los pasillos sucios de entendimiento humanos. Es esta sensación de gran pantalla que se toman Fragmentos y sus melodías son falsos.
Estas canciones me podrían decir que algunos en particular han tenido efectos graves sobre mí. En un primer momento en que pude citar la música de melodías largas y clásicas, no lo que sus cuestiones planteadas, pero su originalidad y la inmensidad me llevó a momentos mi mente que yo nunca había estado. Entonces yo llamaría esta cuestión al BLACK METAL primitivo, frío, sucio, que se resistían a las preguntas formuladas por los tiempos modernos de los fluidos de la humanidad, de eso tengo fuertes recuerdos. Pero Más importante sería un capítulo al DOOM METAL, que significó un avance en el Black Metal, en la parte oscura de este sonido es excretar el odio, DOOM METAL parecía haberse tragado todo, Por lo tanto, el DOOM había envenenado a su propia esencia y por lo que se prolongó… Estos sonidos se presentaron a mí, y como una maldición.  De estas percepciones se encontraban en el momento desastroso en mi vida, he vivido todo lo que he escuchado, todo lo que oí fue lo que viví.
*Como llegaste al Drone y como crees que ha evolucionado la escena en latinoamerica?
esta forma de expresar, que muchos llaman Drone, para mí es uno de los más intensos entre dimensión de las sensaciones y el alcance de esta enfermedad que se llama la vida… De todas las formas de arte, todas las ansias de superar las barreras impuestas por el cuerpo, el sonido es más enigmático; ondas invisibles vienen a tu mente y pantallas se dibujan, dibujando formas, sentimientos, recuerdos, colores nunca antes imaginados…  El Drone para mí significa muerte, es la muerte de todo lo que los Otros estilos han tratado en sonido extremo, el Drone es el último paso… En esta parte del mundo que nuestra cultura de América con nombre Estados Unidos, este tipo de sonido que ha luchado, luchó por una espacio, problemas para mostrar el resultado de sus perspectivas. Yo No diría que América Latina ha evolucionado en el Drone, Yo no usaría la palabra evolución, sólo quiero decir que complexibilizando cada vez más, el Drone latinoamericano es diferente de los demás que se practican en otras partes del mundo y dentro de su propia esfera se trata de cada vez más podrida.
* Te sientes parte importante de ésto?
Nunca pensé en ello, veo en Abismo su propia esfera… Pero sé que las quimeras de Abismo han surgido en un momento en el tiempo en el que tiene que ser un pionero en muchas cuestiones, y llevó perfección diferente para aquellos que los necesitan… Sin embargo, no, yo no soy importante, yo soy sólo una parte de en su conjunto, una parte podrida de todos…
* Cómo la prensa ha valorado Trabajo?
Todos los comentarios que recibo de Abismo en mi e-mail son buenas… En general creo que la gente busca entender el sonido. Todavía oigo algunas críticas Abismo que tienen una visión muy negativa acerca de la humanidad, pero esto es algo que realmente sucede, y algo que no voy a cambiar, ni siquiera en mis otros proyectos fuera de Abismo.
*Ves unificada la escena latina hacia el extranjero?
No, la escena latina específicamente tiene su originalidad, haciendo de este un contrapunto a la estandarizar la escena hacia el exterior, aunque no sólo en la escena latina, pero en todos los ámbitos del arte, no ramas específicas que tienden a la homogeneización, no es el caso de la mayoría de las creaciones de este lado del mundo retratar a un lugar social en particular, con preguntas propia y sus propias canciones.
* Aquí en Chile se practica Mucho El Drone, Me pregunto cómo lo ves tu.
Yo lo veo como un espectador satisfecho con un buen espectáculo. Chile es un hito en América Latina, con buenos proyectos, que luchan por un espacio, con obras originales, canciones originales, destaco esto en relación con escena de Europa, en Chile nunca hubo nada como un copia simple de lo que sucede en otras partes del mundo, ustedes hacen algo único. Algo que todavía no he visto en otros países.  Iniciativas que se destacan como actuaciones en vivo, algo muy raro en este tipo de sonido, además de tener creado un sello propio que trabaja con las principales iniciativas; FunerART. Donde incluso habo una versión para mi segundo disco hace un tiempo, además del completo apoyo en otras obras, Un ejemplo es A Face Obscena da Humanidade.
*Como nace la idea de Lanzar un Split junto con Dios Incandescente para libre descarga?
Esto vino de mi serie de Split’s titulados The humanity’s obscene face Lo que ha sido algo mucho más intenso de lo que había imaginado… Cuando propuse el tema de la cara Obscena de La humanidad a D.I., y lo invité a ser parte de esta obra,  No pensé que el sonido se derivarían de la manera en que lo hizo… Para mí, perfecto para una muestra de lo que sería el primer paso.
Uno de los factores que influyen en esto, para mi ha sido la proximidad con el hombre que está detrás de D.I. (Dios Incandescente) Alexis Brantes, ya habíamos trabajado juntos en La Ultima Frontera, y estamos constantemente hablando, algo que hace migrar las ideas con mayor claridad.
*Sin duda Esta primera Etapa ha sido bien recibida, pero no asi la segunda junto con Painforged.
Podriamos atribuir esto al fuerte cripticismo demostrado en esta oscura y densa segunda parte de la serie de 5 splits?
Tal vez puede haber varias respuestas a esto, pero no es mi intensión alterar el curso, que sigan estos artefactos hasta la quinta etapa final. No hay duda de los rostros son diferentes entre sí en una primera movimiento fue una carga de diferentes temáticas segundo movimiento, esto también ocurre con las asociaciones que se proponen en cada parte, concebir con la DI mi alegoría de cómo lo vi más en forma de la primera cuestión, la génesis del Rostro Obsceno de la humanidad. El segundo concepto que se refiere a donde la miseria; articulación con el proyecto alemán Painforged, decide bajar cientos de pasos para un sonido más nihilista y extrema … Miles de acciones por eviscerado hasta llegar al quinto y último paso, el Extinción.
*Para cuando la tercera parte y con que banda se cuenta?
Para este mes saldrá de la tercera parte que ya está Esta composición de los sonidos de ambos proyectos como todos los artes gráficas, que fue presentada inicialmente por el Lord Ghost, Polonia, este mismo individuo es el protagonista proyecto que actuará en The Face III, SIRS. En esta nueva  cara se incluyen tres tracks, dos procedentes de Polonia y uno de los míos, que seguirá emitiendo propuestas de mis dos últimas aberraciones.
* Como es la Escena en Brasil?
Para responder a esta pregunta tendría que hacer una sutura de la época en que Abismo ha comenzado a moverse fueron escasos, muy escasos, o no… sólo hubo proyectos con sonidos aproximados en Brasil. DOOM METAL sí mismo, que para mí sería un paso Anterior a lo que hago con Abismo, no había Actualmente, las ramas que se han generado en mi país se extienden hacia generos más altos, se extienden con más facilidad aquellos que se mostraron en las presentaciones públicas y débilmente que saludó a las tradiciones europeas, a excepción salvo raras excepciones.
Hoy en día, las cosas suceden de otra manera, los proyectos con ambientes experimentales y la oscuridad han surgido en pasar a la clandestinidad y se mudó a una “escena”. Hasta cuando va a durar esto? No lo sé. Para mí esto es sólo un movimiento cíclico y, a continuación alguna forma de representación una vez más legitimada como hegemónico y otros estilo entran en juego, Abismo no tiene nada que ver con esta escena, ni siquiera creen en ella como una forma de unificación, mientras disfruta de unas obras que están aquí hizo una verdadera y consistente. Lamento sólo que a menudo estas obras no son de valor, sólo porque son brasileños o América Estadounidenses, funcionando muy bien articulada y alegorías con la que para ver sus obras se han convertido en físicas para entrar en acuerdos con injustos sellos extranjeros, aunque hay algunos sellos que tener debidamente en cuenta los artefactos que producen aquí, pero son pocos la mayoría eurocéntrica de intelecto, el pensamiento como el centro del mundo y que debe extender su verdad la salvación para toda la humanidad.
* Cuentame un poco del presente Abismo
Estoy terminando un trabajo que respondan a acuerdos que había hecho en el pasado, algunos materiales muy especial desde su concepción de sonido a sus deberes hacia su liberación física, con lo que oficialmente anuncia que se obra reciente del abismo y yo, otros, no estoy entrar en cualquier nueva asociación, ya sea para dividir o para otra versión que no está incorporado que anticipamos.
* Podras adelantarnos algo del futuro cercano del abismo?
Nuevos trabajos especiales… Antes de la prensa. Abismo gatillo de su odio nihilista contra su propia vida en el pecho…
*Gracias por tu tiempo amigo, un saludo desde Chile. Algo que agregar al cierre de esta entrevista?
por tu interés y el tiempo que esto ha tomado… Luego travesías de un día, después del día de la muerte inevitable, a mi, tu, de todas las maldita vida …

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Entrevista com Edgar Franco - Um artista pós-humano (Por: Ademir Luiz & Ligia Carvalho)


É muito fácil sentir-se um caipira conservador perto do Edgar Franco. A figura física é incomum, a figura intelectual ainda mais. Roupas escuras, cartola, cabelos longos, barba ao estilo de Abraham Lincoln, vegetariano, líder de uma banda performática gravada por selo internacional, arquiteto de formação, versado em alta-tecnologia, criador de um vasto universo ficcional, cosmopolita, culto e com senso de humor afiado.

Não fosse o reconhecido autor de considerável produção acadêmica, tivesse RG, emprego e endereço fixo, poderia ser confundido com um personagem de Tim Burton. Mas Edgar Franco existe, e muito. É professor da FAV, Faculdade de Artes Visuais e do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás, e atualmente cursa pós-doutorado no LART – Laboratório de Pesquisa em Arte e Tecnociência, Gama/UnB. Nessa entrevista ele falou sobre seus múltiplos interesses, sua produção artística e acadêmica, e, principalmente, sobre essa nossa humanidade desumana e o pós-humano. 


Ademir Luiz: O senhor se formou em Arquitetura e Urbanismo na UnB, fez mestrado em Multimeios, estudando Histórias em Quadrinhos, na Unicamp, e doutorado em Artes Plásticas na USP. Paralelamente, desenvolveu um reconhecido trabalho nos campos da música performática e da produção de HQ’s conceituais. Em suma, para além de pesquisador, produz, e é referência, em sua área. O senhor considera importante essa experiência da práxis entre os acadêmicos que pesquisam os fenômenos da contemporaneidade, época marcada pela interatividade? Em outras palavras: é fundamental para o acadêmico colocar a mão na massa e ser também um criador?
Edgar Franco: Essa questão é instigante e vou ser sincero contigo: sem prática a teoria é somente ficção! Vou mais longe, eu acredito que o mundo ocidental foi contaminado por uma verborragia sem fim, a linguagem escrita evoluiu de maneira sórdida por esses lados do globo, pois numa certa medida ela tornou-se mais importante do que aquilo que tenta representar ou explicar! Muitas vezes tratados acadêmicos que se propõem a analisar um fenômeno, engolem o fenômeno, ou melhor, passam a ter mais importância do que o fenômeno no contexto da cultura. Outro exemplo contundente são as religiões preponderantes no ocidente, no princípio a religião era a busca da transcendência; busca por outros níveis de consciência, o ritual tinha o papel de criar essas conexões, como ainda tem em algumas práticas do oriente – a meditação é um bom exemplo. Mas por aqui a religião tornou-se mais um universo da verborragia. A filosofia oriental é a da ação, a filosofia ocidental a dos tratados verborrágicos. A coisa é tão ridícula que um diretor de uma faculdade de filosofia de uma grande universidade brasileira disse que tudo que já podia ser escrito sobre o homem já foi escrito pelos grandes filósofos e agora o papel da universidade é analisar esses discursos! Isso é deprimente, dezenas de teóricos engessados que passam anos de sua vida interpretando, como engajados hermetistas, o que outros disseram sobre o homem e a vida e com isso esquecem de viver, ou seja, de terem suas próprias vidas e chegarem às suas conclusões sobre o que é o viver. Com isso vamos vivendo a vida dos outros! Num contexto como o do Brasil, uma cultura que sofre com esse estigma da colonização, eu vejo centenas de acadêmicos engomadinhos que repetem os discursos importados, principalmente da Europa, e não conseguem produzir seu próprio pensamento. Precisam de muletas pra viver, usam as palavras e conceitos dos pensadores da moda e ou os clássicos pra esconderem sua mediocridade, sua falta de coragem pra experienciar a vida e pra chegar às suas próprias conclusões sobre o mundo. São os chamados “papagaios de pirata”, vão repetir as idéias alheias e morrerem vazios! Eu não digo que devemos nos isolar, de forma alguma, temos que nos contaminar de todas as reflexões, conhecermos o que pensam nossos pares pelo mundo afora, mas daí a ficar replicando a experiência dos outros, isso não! Eu me dou o direito de VIVER, me dou o direito de ter minhas próprias ideias sobre o mundo e a vida, podem não ser as melhores, mais requintadas, ou na moda, mas são minhas ideias! A EXPERIÊNCIA sobrepuja sempre para mim a TEORIA! Por isso se alguém que teoriza sobre um assunto não tem experiência prática não me interessa! Teóricos da fotografia que não fotografam? Críticos literários que nunca escreveram um poema? Filósofos que se dedicam a analisar a obra dos outros? Para mim isso é verborragia, nada de verdadeiramente transformador pode nascer da simples metodologização, não tenho tempo a perder com isso! Pra você conhecer todo e qualquer fenômeno você precisa experiência-lo, pois todo o resto será PURA FICÇÃO! Então, pra mim o ato criador está sempre em primeiro lugar, pois ele é a vivência completa daquela forma de expressão, toda a minha produção como teórico nasce do ato criativo, são indissociáveis a criação e a teorização! Eu vejo que a falta de experiência e o mergulho das pessoas na teoria pura as embrutece, produz dogmas, as entristece, as enfeia, por isso os acadêmicos, principalmente os das ciências humanas, amam as teorias mais desesperançosas e niilistas, elas refletem o vazio de suas vidas, vidas não vividas.
AL: Seu traço é bastante particular e marcante, basta olhar uma obra sua para reconhecer a autoria. Ao mesmo tempo, é possível identificar traços de influência de artistas como Salvador Dalí, H. R. Giger, Francis Bacon e até algo de Moebius. Trata-se, claro, da primeira impressão. Quais foram os artistas responsáveis por sua formação? Quem o influenciou?

EF: Primeiro fico feliz em saber que meu traço tem essa marca autoral, no entanto tomo muito cuidado com isso pra que eu não crie uma armadilha que irá me aprisionar, ou seja, que eu passe a acreditar que cheguei na fórmula perfeita, meu traço peculiar, pois o que acontece com os artistas que chegam a esse tipo de conclusão é a morte completa de seu trabalho, começam simplesmente a repetir essa fórmula e sua arte morre com esse veneno enebriante do ego chamado ESTILO! Devido a isso tenho experimentado criar em outras mídias, suportes e até reinventar o meu desenho experimentando com novas possibilidades gráficas. Na verdade essa identidade de meu traço começou cedo, aos 17 anos já lia pessoas dizendo isso sobre as HQs que eu publicava em fanzines. O motivo principal é que nunca copiei desenhos. Sempre fui resistente à cópia, meus amigos que desenhavam amavam copiar os desenhos dos artistas que gostavam e eu resistia, queria desenhar do meu jeito. Isso fez com que meu traço demorasse mais para se desenvolver, mas logo já apresentava essa autoralidade. Eu usava fotos em revistas como base pra estudar desenho, mas copiar outros artistas, nunca. Obviamente minha mente subconsciente foi contaminada pelos artistas que amo, entre eles grandes surrealistas como Dali e Giger, também pintores medievais como Bruegel e Bosch, pintores magos como William Blake e Austin Osman Spare, bem a lista é enorme. Nos quadrinhos a linha clara francesa sempre foi sedutora pra mim, e os meus artistas preferidos são os franceses Phillipe Druillet e Caza que curiosamente só conheci aos 19 anos de idade porque reconheceram semelhanças entre seus trabalhos e os meus, ou seja, eu já fazia um trabalho de fantasia filosófica antes de conhecê-los. No Brasil tenho dois amigos quadrinhistas, dos mais criativos gênios do mundo em minha opinião, que são uma fonte de inspiração: Gazy Andraus e Antônio Amaral. Mas meu trabalho com os quadrinhos e como artista multimídia sofre contaminações de outros meios e mídias, como o cinema. Poderia ficar horas citando diretores e filmes, mas vou me restringir a algumas obras no terreno da FC que inspiraram a criação de meu universo ficcional da Aurora Pós-humana: Tetusuo - The Iron Man (do diretor Japonês Shinya Tsukamoto), eXistenZ & Videodrome (do diretor canadense David Cronenberg), A.I. (de Kubrick & Spielberg), Pi (do diretor norte americano Darren Aronofsky), Hardware (de Richard Stanley) e Gattaca (de Andrew Niccol). O universo literário também é um rico manancial, comecei a ler muito cedo, influenciado por meu pai. No início gostava de romances de horror e aos 12 anos já tinha lido a obra completa de Edgar Alan Poe. Posteriormente passei a me interessar por múltiplos assuntos, de filosofia a esoterismo, passando por FC e antropologia, também futurismo, tecnologia e transcendentalismo, nessa perspectiva destaco as obras de pensadores como R.A.W., Terence MacKenna, Buckminster Fuller, Teilhard de Chardin, Aldous Huxley, Madame Blavatsky, John C. Lilly, Aldous Ruxley, Tim Leary, Giordano Bruno, John Dee, Rupert Sheldrake, Ken Wilber, P.K.Dick, Crowley, Stanislav Grof, Jodorowsky, Ray Kurzweil, Hans Moravec, Vernon Vinge e também pelas criações de artistas pós-humanos como: Orlan, Mark Pauline, Natasha Vita More, Stelarc, Roy Ascott e Eduardo Kac. Sofro todas essas contaminações, mas busco em meu ato criativo retratar o que experiencio em meus estados ordinários ou alterados de consciência, para mim criar é tocar sutilmente a essência do cosmos!
AL: Em sua produção quadrinística, destacadamente na série de álbuns ilustrados “Artlectos e Pós-Humanos”, a composição dos ambientes é bastante elaborada. Encontramos desde arranha-céus ultra-tecnológicos até torres medievais. Enquanto artista com formação em arquitetura e urbanismo, qual a importância do cenário para a construção do sentido da narrativa? Ele o define ou é uma moldura?
EF: Bem, ultimamente a arquitetura dos corpos pós-humanos de meu universo ficcional tem sido muito mais instigadora de minhas criações do que o espaço da urbe pós-humana! O fato é que todo o espaço projetado pelo homem e para o homem tem como estruturador o corpo humano, ele tem sido a base de tudo, inclusive das medidas como palmos, pés, o sistema decimal baseado nos 10 dedos das mãos, enfim o corpo humano é a base para a criação de tudo que nos envolve, o homem Vitruviano de Da Vince, o Modulor de Corbusier. Existe até uma disciplina dedicada a esse estudo: a ergonomia. Agora imagine que com a mudança drástica desse corpo, se, de repente, como propõe o artista e provocador australiano Stelarc, nós tivermos uma terceira orelha em um braço, como será essa nova arquitetura? O que mudará? Em meu mundo pós-humano procuro sempre criar arquiteturas inusitadas, uma arquitetura que tenha a organicidade das criaturas de meu mundo, que dialogue esteticamente com os seres que o habitam. Isso vai na contramão do pensamento modernista da arquitetura e urbanismo que praticamente apartou a arquitetura dos homens, objetificou-a, aliou-se ao projeto da indústria e do capital, simplificou tudo, vulgarizou, tomou como modelo básico de espaço o cubo branco, enquanto na época das construções das catedrais góticas os construtores queriam tocar Deus! Mas voltando para as HQs, a arquitetura é sempre um elemento presente e a dinamicidade de sua importância vai depender dos interesses narrativos do artista, em certos casos ela ganha uma importância chave, como no álbum “Ronin” de Frank Miller em que a bioarquitetura auto-replicante e autônoma reconfigura todos os ambientes, ou ainda no célebre álbum de Will Eisner, “ O Edifício”, em que toda a ação narrativa tem como eixo o edifício do título. Acredito que os jovens arquitetos em formação deveriam lançar um pouco mais o olhar para os mundos fantásticos dos quadrinhos, buscar inspiração na fantasia, ousar mais. A contaminação tardia do modernismo permanece e a arquitetura contemporânea me parece tão sem graça, sem vida, sem sonho, utilitarista, chata, cansativa. Com a tecnologia que temos hoje poderíamos viver em espaços como os dos mundos do quadrinhista francês Druillet, mas continuamos em cubos brancos (que incluem alguns arabescos pra disfarçar a falta de inspiração).
 AL: Umberto Eco defende que a construção de um romance é um fato cosmológico. Quem escreve um livro cria um universo. Essa observação pode se estender tranquilamente para a produção de HQ’s. É o que o senhor está fazendo. Seu mundo pós-humano possui história, geografia, fauna e flora próprias. Como surgiu esse projeto? Desde o início a pretensão era criar um universo ou suas fronteiras foram se dilatando mais e mais, quase que espontaneamente, a cada obra que produzia?
EF: Sim Eco está certo, e eu tenho uma teoria sobre a criação de mundos ficcionais: muito dificilmente um criador de mundos ficcionais irá promover a guerra! Quando você cria um mundo, uma cosmogonia, você tem que usar empatia, tem que colocar-se no lugar do outro, pensar como ele poderia estar pensando naquela situação, e isso nos torna menos dogmáticos, mais receptivos à visão de mundo dos outros, mais solidários, menos autocentrados e egocêntricos. Imagine você que na trilogia em quadrinhos BioCyberDrama, roteirizada por mim e desenhada por Mozart Couto, eu criei cerca de 100 personagens, e eu tive que imaginar cada um deles, a visão deles dentro da situação que experienciavam, como se portariam segundo seu histórico de vida, suas personalidades, sua forma física, eu tive que vivenciar esses quase 100 papéis, fui um pouco de todos eles, desdobrei-me! A cada nova criação assim me sinto mais tolerante para com as pessoas em geral, me vejo mais doce, menos presunçoso, a minha empatia cresce no mundo real na medida em que surgem novas personagens em meu mundo ficcional! Eu sugiro aos educadores uma disciplina obrigatória chamada “Criação de Mundos Ficcionais” que deve ser ensinada em todas as séries dos ensinos fundamental e médio, considero uma disciplina como essa tão importante quanto matemática e português! Na verdade eu sempre desenvolvi narrativas em mundos de ficção com regras estabelecidas, nas minhas HQs curtas eu gerava pequenos mundos ficcionais restritos. Há dez anos senti a necessidade de estruturar esse mundo que chamei posteriormente, no doutorado, de “Aurora Pós-humana”. Trata-se de um mundo em processo emergente, expandindo-se e agregando novas características de acordo com minhas novas experiências. É o universo ficcional que serve de base para todas as minhas obras nas mais diversas mídias e suportes, um legítimo universo transmidiático, mas de pretensões expressivas e não ligado aos objetivos comerciais que permeiam a maioria dos universos transmídia.
AL: Em seu livro “HQtrônicas – do Suporte Papel à rede Internet”, o senhor problematiza a questão da leitura em mídias virtuais. Qual sua perspectiva sobre a polêmica questão acerca da sobrevivência ou não do livro tradicional?
EF: Na perspectiva de McLuhan, o visionário comunicólogo canadense, uma mídia não supera a outra ou a substitui, concordo com ele, pois quando o cinema surgiu decretaram o fim do teatro, já a TV seria a morte do cinema e assim por diante, de certa forma muitos suportes midiáticos também não substituem os seus antecessores. O livro, como o conhecemos, tem uma tradição histórica milenar e sua resistência ao tempo é muito grande, é um formato que não depende de um aparelho decodificador ou fonte de energia para alimentá-lo, portanto ainda apresenta muitas vantagens em relação aos formatos digitais. Vamos brincar um pouco: seu navio naufraga e você consegue ir até uma ilha deserta, seu e-book com 3000 livros se molhou e pifou, mas a maré trouxe alguns livros encharcados de outros tripulantes do navio que não sobreviveram, eram 11 livros, eles secaram ao sol e foram sua companhia por um ano até te encontrarem! É uma situação hipotética, utilizo-a para reforçar como o livro ainda é um objeto “robusto” em muitos sentidos. O biólogo e Ph.D. inglês James Lovelock, autor da Teoria de Gaia, vislumbra um futuro muito obscuro para a humanidade dentro das próximas décadas devido ao aquecimento global induzido pela ação de nossa espécie. Uma das consequências vislumbradas por ele é a de um total colapso energético planetário e diante disso toda a informação digital não poderá ser acessada, e se conseguirmos reverter a situação será pelos livros. No final de seu livro “A Vingança de Gaia” ele chega a sugerir a redação de um manual com todos os princípios básicos da ciência e da tecnologia, um manual que poderia ajudar a humanidade a se reerguer após o colapso. Dito isso, esclareço minha empolgação com as possibilidades dos formatos digitais, pela dinâmica da convergência midiática, pela sinestesia e envolvimento que essas formas híbridas de leitura envolvem. As HQtrônicas – histórias em quadrinhos eletrônicas, neologismo criado por mim, são uma das novas linguagens intermídia emergentes, hibridizam características dos quadrinhos tradicionais em suporte papel com as possibilidades abertas pela hipermídia, tenho investigado esse fenômeno midiático convergente desde a metade da década de 1990.
AL: Assisti uma apresentação musical-performática de sua banda, a Posthuman Tantra, numa universidade. As reações foram adversas. Enquanto algumas pessoas aplaudiam em cena aberta, outras se retiraram indignadas com as insinuações sexuais e de violência. Ao que o senhor atribui esse tipo de atitude conservadora por parte de membros da comunidade acadêmica?
EF: Pra responder essa questão resgato o pensamento de um dos maiores artistas contemporâneos, o quadrinhista inglês Alan Moore, que, como eu, se declarou mago: um manipulador de símbolos visando a mudança da percepção de mundo! Moore ressalta que o verdadeiro artista dá às pessoas “o que elas precisam” e não “o que elas desejam”! A arte foi engolida pelo entretenimento no Século XX, e o senso comum passou a considerar o entretenimento vazio produzido pelo mundo da mídia de massa como arte. Veja que até as nulidades que participam de reality shows são consideradas “artistas”. A publicidade, um mundo repleto de “magos negros”, atua no status quo manipulando símbolos simplesmente para induzir ao consumo. A publicidade é limpa, polida, bela, com rostos jovens, famílias bem nutridas, tudo é asséptico, quase hospitalar, nesse mundo idealizado da indução ao consumo. A linguagem visual da publicidade é a linguagem dominante do mundo globalizado, ela dita regras para os outros sistemas imagéticos, ela contamina todos os meios áudio-visuais, então como artista eu me insurjo contra essa assepsia dissimulada, uma pseudo-limpeza que encobre a sujeira da destruição do planeta e das outras espécies em detrimento do lucro de alguns. As pessoas que saíram da sala de espetáculo durante a nossa apresentação me deixam orgulhoso, pois tenho certeza de que meu objetivo artístico está alcançando resultados. Não existe arte verdadeira que não provoque e não incomode! Além disso, as insinuações sexuais de nossa performance não são nem um pouco mais agressivas do que dançarinas praticamente nuas insinuando sexo anal em danças grotescas nas TVs aos domingos, no entanto a embalagem que envolve essas dançarinas é a da assepsia publicitária, então isso é aceito e louvado pelas mentes subjugadas pelo controle mágico das multinacionais. Nossa performance nega essa assepsia e recontextualiza a manipulação simbólica e conceitual desses elementos, no caso da insinuação sexual fazemos uma reflexão sobre o tecnofetichismo emergente. Também temos muito de doce e sutil em nossa narrativa multimidiática, se você abrir sua percepção sem preconceitos poderá perceber isso ao assistir nossa apresentação. O Posthuman Tantra tem se apresentado em eventos acadêmicos em vários locais do país, como no II Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual (UFG – Goiânia), no 9º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (Brasília - DF), 10 Dimensões da Arte e Tecnologia (UFPB – João Pessoa) e no 1º Encontro de Quadrinhos da UEG (Anápolis), a proposta tem chamado a atenção do mundo acadêmico por ser inusitada e algo iconoclasta e a recepção geral é sempre essa: amor ou ódio, poucos ficam indiferentes diante da performance. O Posthuman Tantra é para mim um espaço artístico-ritual, nas apresentações assumo de fato o meu papel de “cyberpajé”, manipulando símbolos e sigilos objetivando a modificação da realidade! Sei das dificuldades de nos insurgirmos contra o império das multinacionais e seu conglomerado de “magos negros” (as grandes e “premiadas” agências publicitárias globais), mas de forma quixotesca eu aceito o desafio, pois para mim não existe verdadeira arte senão aquela que busca transformar o mundo. A penetração de minha obra é muito restrita, mas quem sabe através da ressonância morfogenética alguns dos memes presentes em minha arte não sobrevivam e perpetuem-se no seio da cultura.

Pra concluir é importante observar que a academia ainda é um espaço de dinossauros morais. Na minha modesta opinião, certos setores da academia são tão arcaicos, estéreis e autocentrados que simplesmente esqueceram que existe um mundo em ebulição à sua volta. A cultura está vivendo uma das revoluções mais dramáticas, para o bem ou para o mal, nesse exato momento e eles não conseguem enxergar além de seus pés ou de suas teorias herméticas importadas. É da academia, local que pretensamente agrega as grandes mentes pensantes de nossa época, que deveria vir a revolução, ali deveriam surgir as idéias criativas que poderiam mudar o mundo, transformá-lo, mas de modo geral a academia é um espaço estanque, salvo raras exceções o que temos é um espaço de elevação de egos intelectuais pequeno burgueses! Eu amo estar na academia pelo contato com as mentes jovens, em ebulição, conviver com elas antes de serem envenenadas pelos “túneis de realidade teórica” desses acadêmicos acorrentados é uma dádiva. Eu me surpreendo com a experiência e capacidade criativa das mentes de muitos estudantes que me cercam, com idéias genuínas e cheias de amor pela espécie e pelo planeta. Eu dialogo com eles, é por eles e pra eles que permaneço na academia. É claro que tenho alguns colegas acadêmicos admiráveis que fogem a esse estereótipo e que lutam de mãos dadas comigo por uma mudança basal naquilo que entendemos por academia. Você, amigo Ademir e a amiga Ligia Carvalho estão certamente incluídos nesse grupo!
AL: Um dos cernes de sua produção é a questão da imagem. Qual sua opinião acerca da tese que Giovanni Sartori expôs no livro “Homo Videns – Televisão e pós-pensamento”, onde ele afirma que a era da imagem, centrada na TV, está transformando o ser humano de homo sapiens, o homem sábio, um animal simbólico, em homo videns, um animal vidente, que simplesmente olha, sem problematizar o que vê?
EF: Eu não conheço o livro, portanto não poderei comentar mais detidamente a argumentação do autor, mas tentarei tratar de maneira geral a questão. A mim me parece mais um temor milenarista desse teórico que continua muito arraigado à cultura da língua escrita como a forma basal “de cultura verdadeira”. Alguns setores radicais das academias européias odeiam as imagens, inclusive muitos livros de teóricos da imagem e da fotografia, principalmente franceses, simplesmente não incluem imagens! Isso chega a ser paradoxal. Já cansei de ouvir alguns colegas da área de letras dizerem que os quadrinhos são bons sim, pois eles podem levar o jovem leitor a “avançar nos caminhos da leitura e chegarem à literatura”, isso é uma afirmação preconceituosa, corporativa e tacanha! Estão dizendo nas entrelinhas que a literatura sim é uma forma de cultura verdadeira e “essas coisas menores como os quadrinhos são apenas bons trampolins para chegarmos à arte literária”. Pois esses detratores da imagem, defensores milenaristas da linguagem escrita estão se sentindo MUITO ameaçados com o avanço da produção imagética na sociedade e cultura contemporânea, eles não têm ferramentas para analisar as novas formas de percepção da informação e cognição das imagens. Eles estão isolados num canto, percebem que tudo o que disseram perdeu o sentido no novo universo midiático convergente, no qual o texto convive e integra-se à imagem estática, imagem em movimento, som, hiperconectividade, mobilidade. Ao invés de buscarem entender esse fenômeno eles irão lutar contra ele, uma luta inglória, coitados, pois enquanto eles estão tentando defender a linguagem escrita dialogando com seus poucos pares na academia, bilhões de seres humanos estão navegando na teia complexa convergente de imagens através do globo. Os processos de navegação hipermidiáticos, baseados na multilinearidade, simulam nosso processo de pensamento e são muito sedutores! Mas eu discordo da teoria de que os jovens não problematizam, recebo alunos muito inteligentes na universidade todos os dias, só que a forma de absorção da informação - suas relações cognitivas com o mundo - são muito diferentes das de seus professores ainda baseadas na linguagem escrita. Vejo muitos colegas furiosos por seus alunos não conseguirem ler um livro completo, eles os acusam de vazios e perdidos simplesmente porque o paradigma de construção do conhecimento desses jovens é diferente do deles, ou seja, a grande maioria dos professores é totalmente inapta a lidar com essa nova geração “hipermidiatizada”.
Ligia Carvalho: Abstraindo um pouco mais, no “Artlectos e Pós-humanos”observamos um profundo pessimismo quanto ao futuro da humanidade. Isto é tão marcante que a própria verticalidade dos traços criapontos de fuga que fazem o olhar do leitor "escorregar", constantemente, para o vazio, ou seja, induz sua percepção ao nada representado pela ausência de requadro. Embora ficcional, esse universo do futuro, fala do presente, alertando para o fato de que as  possibilidades ilimitadas originam um "nada" existencial, uma vez que vida e morte se perdem, pois a única coisa que conta é a satisfação de si mesmo, do prazer a qualquer custo. Em suma, você acredita que o "apocalipse humano" é inevitável?
EF: A série de revistas em quadrinhos “Artlectos e Pós-humanos” terá seu quinto número publicado pela editora Marca de Fantasia em breve. Já são mais de 150 páginas de quadrinhos, HQs curtas que questionam assuntos seminais envolvendo o homem atual e sua relação com os processos tecnológicos. Para realizar essas reflexões criei um mundo ficcional, onde realizo um deslocamento conceitual, situando o planeta Terra num futuro em que todas as proposições prospectivas da biotecnologia, telemática, robótica e nanoengenharia tornaram-se realidade e o mundo vive agora sob a égide de três espécies, os tecnogenéticos – fruto da hibridização entre humano, animal e vegetal; os extropianos – organismos abiológicos, seres humanos que transplantaram sua consciência para chips de silício; e os resistentes, humanos tradicionais que resistem a essas mudanças e estão em processo de extinção. Nessas mais de 150 páginas incluo muitas HQs distópicas (pessimistas) em que demonstro minha desilusão para com certos processos tecnológicos regidos pelos interesses do capital. Com certeza nos números que leu da revista estas HQs foram as que mais te marcaram, e sua interpretação sobre a indução de uma percepção de vazio me parece muito sensível, denota um verdadeiro mergulho em meu trabalho. No entanto existem muitas HQs da série que apontam para uma possibilidade de revertermos essa tendência entrópica de falência total de nossa espécie, na realidade eu ainda acredito que o aspecto luminoso do ser humano prevalecerá, eu acredito na força do amor incondicional e na capacidade dele revigorar-se no seio da cultura humana e fazer-nos voltar a compreendermos nossa dimensão cósmica, nossa ligação simbiótica com a natureza e com o grande organismo vivo chamado Gaia, a mãe Terra. Mas penso que a nossa cultura atual baseada no consumo, no egocentrismo e na busca de prazeres instantâneos certamente viverá um colapso. O matemático Vernon Vinge chama esse colapso cultural-tecnológico de o momento da “singularidade”. Para mim a consequência principal desse colapso será uma implosão dos valores que regem as sociedades humanas para a emergência de novos valores baseados no amor incondicional. Você pode chamar esse colapso de apocalipse, pois essa imagem já se tornou um arquétipo, mas eu prefiro a metáfora solar de que chegaremos ao crepúsculo de uma era, necessária para o processo alquímico de maturação cósmica de nossa espécie, e emergiremos em uma nova aurora. Quando esse colapso ocorrerá? Difícil dizer, mas arrisco imaginar, segundo as previsões de tantos biólogos, etnobotânicos, físicos, climatólogos e matemáticos, e também segundo minha percepção e intuição, que ele se aproxima, talvez dentro dos próximos 50-80 anos, ou até antes.


AL: O senhor propõe um mundo futurista onde homens se amalgamam com animais e máquinas. Toda grande ficção científica é um comentário acerca do presente. É possível identificar hoje aspectos pós-humanos na humanidade?

EF: Venho recolhendo reportagens em sites de divulgação científica e tecnológica há cerca de dez anos, são descobertas e invenções impressionantes que denotam claramente esse momento de transição em que vivemos. Infelizmente poucas dessas notícias chegam aos grandes veículos de imprensa que continuam interessados em discutir as nulidades ligadas às pseudo-personalidades e mostrar a miséria humana em catástrofes que dão audiência para que continuem despejando toneladas de publicidade vagabunda das grandes corporações. Trustes globais interessados em vender seus produtos tecnologicamente obsoletos - como 90% dos carros que ainda utilizam combustível fóssil apesar do evidente aquecimento global e da existência de muitas tecnologias limpas!

Essas notícias tornam-se notas de rodapé curiosas ou são ignoradas pelas mídias massivas, no entanto, na Internet podemos nos assustar com a divulgação desses feitos que desestruturam nossas concepções éticas. Vejamos alguns exemplos: Em 2007 nos Estados Unidos foi produzida uma ovelha com 15% de genética humana, também em 2007 a empresa de biotecnologia norte americana Allerca começou a comercializar gatos e cães transgênicos e antialérgicos, em 2008 eles colocaram no mercado um novo animal de estimação transgênico, o Ashera Cat, cruzamento biotecnológico de um leopardo asiático com gato doméstico. Em 2009 cientistas japoneses conseguiram fazer crescer dentes em ratos adultos, em 2010 pesquisadores canadenses criaram uma córnea artificial que substitui a córnea humana e não apresentou rejeições. Desde 2003 os transplantes de extremidades como mãos, braços e face começaram a se tornar uma prática cirúrgica experimental em países como França e EUA. Já existe um aparelho comercializável através do qual você pode controlar um computador com as ondas cerebrais. E isso é só a ponta do Iceberg, faça uma busca nos sites de tecnologia e ficará estupefato. Eu diria que essas revoluções tecnológicas tem um espectro muito profundo, pois elas avançam sobre a teia da cultura e sobre as bases daquilo que entendemos como “humano”, então acredito que vivemos uma era transumana, momento de transição entre o humano e o pós-humano. O meu mundo ficcional da “Aurora Pós-humana” é a ambientação fantástica que uso para refletir sobre essas questões.
AL: Sua produção quadrinhística é autoral, vanguardista. Porém, no livro “HQtrônicas” o senhor comenta em diversos momentos personagens do mainstream como Super-Homem, Batman e Homem de Ferro. Qual sua relação com esse tipo de produção? É um leitor? Já foi?
EF: Sinceramente, nunca tive grande interesse pela produção mainstream. Quando comecei a ler quadrinhos, no final da infância, saltei do gênero infantil para as HQs de horror, eu até tentei ler os super-heróis mas aquilo me soava meio falso, chato. Meus colegas que liam quadrinhos à época não entendiam nada, pois eu gostava de gibis em preto e branco como as revistas de autores brasileiros “Mestres do Terror” e “Calafrio”, eu me recusava a ler os super-heróis. E resisti a eles por muitos anos, com exceção de um que era um na verdade “herói”, o Conan, pois suas histórias envolviam um mundo ficcional que inclua aspectos de espada, magia, horror e aventura que me interessavam muito, além de algumas artes em preto e branco que me marcaram, como a arte final de Alfredo Alcala. Só fui voltar a ler super-heróis no período áureo das “graphic novels” da década de 1980. HQs autorais onde o nome do artista tinha a mesma importância que o da personagem, trabalhos de Frank Miller, Alan Moore, Grant Morrison, entre outros. Em minha pesquisa sobre as HQtrônicas e a relação entre quadrinhos e computador foi impossível não tratar de alguns trabalhos mainstream pelo uso pioneiro que fizeram de algumas novas tecnologias.
AL: De modo geral, o que acha das adaptações cinematográficas de HQ’s?
EF: É muito importante ressaltar que as histórias em quadrinhos são uma forma de expressão única, com características específicas e inexistentes em nenhuma outra forma de expressão artística! Uma dessas características eu batizei de “percepção visual global”, trata-se da convivência, em um mesmo golpe de vista, dos tempos: passado, presente e futuro da narrativa; pois quando você está lendo o texto em um quadrinho sua visão periférica continua vislumbrando os quadrinhos do passado da narrativa e os do futuro da narrativa. Isso não acontece em nenhuma outra forma de expressão, no cinema e na animação a ação acontece em fluxo contínuo temporal. Esse é apenas um dos exemplos das características singulares das HQs, é por isso que alguns quadrinhistas simplesmente abominam as adaptações cinematográficas de suas obras, a exemplo de Alan Moore. O fato é que muito da tensão narrativa e simbolismo criado para os quadrinhos se perde na transposição para um outro meio como o cinema. Mas não sou contra essas adaptações, até gosto muito de algumas delas, o importante é termos a percepção clara de que uma adaptação nunca conseguirá trazer todas as características de uma HQ, simplesmente porque isso é impossível!

Sites do Artista Edgar Franco:


Posthuman Tantra no Myspace (ouça faixas e veja vídeos):www.myspace.com/posthumantantras  

Canal Youtube do Posthuman Tantra (assista aos 5 vídeos oficiais da banda):
     
NeoMaso Prometeu (HQtrônica que recebeu menção honrosa no Festival Videobrasil): http://www.cap.eca.usp.br/wawrwt/neomaso/index.html
   
Comunidade Orkut do POSTHUMAN TANTRA:http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=32945678

Ritualart (site pessoal - HQs, Entrevista, Ilustrações, poemas - está desatualizado a nova versão está sendo desenvolvida): www.ritualart.net

O Mito Ômega (web arte envolvendo vida artoficial): www.mitomega.com

Freakpedia ( Web arte: a verdadeira enciclopédia livre): www.freakpedia.org


Abril de 2011




FONTE: http://eruditopelonaoditoueg.blogspot.com/2011/04/entrevista-com-edgar-franco.html
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