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quinta-feira, 29 de março de 2012

A cassete está a voltar ou afinal nunca desapareceu?

Vemo-la estampada em "t-shirts", mas a cassete que ouvíamos no "walkman" continua a ser editada e acolhida por estilos de música mais marginais. É melhor manter o leitor de k7 no carro? 
Nos anos 80, a British Phonographic Industry lançou o "slogan" que marcou uma era: "Home taping is killing music". Hoje, trinta anos depois, a conversa continua a mesma, com a pirataria "online" a amedrontar as grandes indústrias. O tempo provou que correr para o rádio para premir REC não matou a música, mas, numa altura em que o vinil está a ter um novo fôlego, o que é feito da cassete? Já agora, um pequeno teste: o que é que uma caneta e uma k7 têm em comum?

Com 26 anos, Vítor Silva, Kikas, como prefere ser tratado, descreve este ritual de puxar a fita ao falar do "modo de vida" que é a dedicação à cassete. Não é o único a insistir num meio que muitos pensavam já estar esquecido. O mercado "indie" e experimental tem apostado na cassete — Deerhunter, Dirty Projectors, Animal Collective, Of Montreal, The Mountain Goats já as lançaram — e o "chillwave", que recupera os sintetizadores dos anos 80, abraçou-a como perfeito condutor "lo-fi" — basta olhar para o percurso de Washed Out, Toro Y Moi, Julian Lynch, Real Estate e Ducktails, o projecto de Mondanile a solo.

Também em Portugal a cassete nunca parou de rodar, particularmente dentro da música experimental e do metal. É, aliás, perto do Porto que se situa a única fábrica da Península Ibérica que ainda faz cassetes. Kikas é um dos "rockeiros" que ainda põe as Tapematic a funcionar e, por isso, entra na Edisco quase como se fosse a sua casa. É aqui que faz os lançamentos da Degradagem, editora que criou há cerca de cinco anos, especializada em "grindcore"/"fastcore", com uma particular adoração pela cassete. Faz 100, 200 cópias, no máximo, e vende-as, principalmente para o estrangeiro, por 3,50 euros, com uma margem de lucro mínima.

É uma questão de "activismo" e também de algum "saudosismo" dos tempos do "tape trading", quando trocava cassetes por correio com esperas de, às vezes, três meses. Prefere a cassete, aquela que tatuou no braço, ao CD-R, formato que na entrada do novo milénio ajudou muitas bandas a começar. "A cassete é para quem tem um compromisso com a música. É mais para quem sente", diz, até porque obriga a alguma dedicação, seja pelas limitadíssimas cópias que hoje são feitas, seja pelos cada vez mais raros leitores de cassetes. "O que ainda vai safando é que o pessoal tem um leitor de cassetes ainda no carro."

Texto de Amanda Ribeiro • 20/03/2012 - 10:16
Leia o restante da matéria aqui:

Matéria indicada por Sara Santos do Bird Paradigma ( http://birdparadigma.weebly.com/ )

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